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Para onde foi a sua tranquilidade
Ansiedade · para onde foi a sua tranquilidade · 2 min de leitura

Para onde foi a sua tranquilidade

Houve um tempo em que as coisas pareciam mais leves. Não que a vida fosse mais fácil — apenas havia uma capacidade de descansar de verdade, de rir sem segundas intenções, de terminar o dia sem a sensação de estar em débito com alguma coisa.

Em algum momento, sem um evento único que explique a mudança, essa tranquilidade foi ficando cada vez mais rara. Não desapareceu de uma vez — foi se diluindo aos poucos, substituída por uma vigilância constante que se tornou tão familiar que quase deixou de ser percebida como um problema.

A pergunta que fica é simples e, ao mesmo tempo, difícil de responder: para onde foi essa tranquilidade, e é possível recuperá-la?

A tranquilidade não some sozinha

Raramente existe um único evento responsável pela perda da tranquilidade. Ela costuma se desgastar aos poucos — uma responsabilidade a mais aqui, uma decepção ali, um padrão de exigência consigo mesmo que foi se acumulando sem que ninguém tenha decidido conscientemente aceitar.

É por isso que tentar localizar 'o motivo' costuma frustrar: não existe um ponto exato para apontar. Existe, isso sim, uma soma de pequenas renúncias ao próprio descanso, feitas ao longo do tempo em nome de outras prioridades.

Recuperar não é voltar ao passado

Uma expectativa comum é que recuperar a tranquilidade signifique voltar a ser quem se era antes — mais leve, menos exigente consigo mesmo. Mas a vida seguiu, e as responsabilidades de hoje não são as mesmas de então.

Talvez a pergunta mais útil não seja como voltar a ser como antes, e sim: o que hoje impede a tranquilidade de existir, mesmo com tudo o que já se conquistou?

Um espaço para reencontrar isso

A escuta psicanalítica não devolve a tranquilidade como quem entrega um objeto perdido. Ela ajuda a entender o que, ao longo do tempo, foi ocupando o lugar dela — e por quê.

Compreender essa história costuma ser o primeiro passo para que a tranquilidade deixe de ser uma lembrança distante e volte a ser algo possível no presente.

Este texto tem fins reflexivos e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional individual. Se você se identificou com o que leu, será um prazer conversar.

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